DELLINFOSoftware
Voltar ao Blog
FinanceiroGestãoProdutividade

Como precificar serviços na assistência técnica sem trabalhar no prejuízo

DELLINFO Software·29 de maio de 2026·8 min de leitura

Você fecha o mês com a agenda cheia, atendeu bem, os clientes ficaram satisfeitos — mas o caixa não reflete isso. Esse é o sintoma clássico de uma assistência técnica que presta bons serviços com precificação errada. O problema não é a qualidade do trabalho: é a conta que está sendo feita.

O erro mais comum: precificar pelo concorrente

A primeira coisa que a maioria faz ao definir um preço é pesquisar o que o concorrente cobra. Isso parece razoável — mas é uma armadilha. O concorrente pode ter custos muito diferentes dos seus: aluguel menor, técnico mais barato, fornecedor diferente, ou simplesmente estar trabalhando no prejuízo sem saber.

Quando você copia o preço de outra assistência, está herdando todos os problemas financeiros dela junto. O preço certo não é o do mercado — é o que cobre seus custos, paga seu trabalho e ainda gera lucro.

Os três componentes de um preço correto

Todo serviço prestado em uma assistência técnica tem três componentes de custo que precisam ser cobertos pelo preço cobrado ao cliente:

  1. 1Custo direto — peças, componentes e materiais usados no serviço
  2. 2Custo operacional — sua parcela dos custos fixos do negócio (aluguel, energia, salários, sistemas)
  3. 3Margem de lucro — o que sobra para reinvestir e remunerar o dono

A maioria das assistências só pensa no custo direto. Coloca a peça e adiciona um markup por cima. Esquece que enquanto o técnico está trabalhando, o aluguel está correndo, a conta de energia está acumulando, e o sistema de gestão está sendo pago. Tudo isso precisa entrar na conta.

Como calcular o custo da sua hora técnica

O custo da hora técnica é a divisão dos seus custos fixos mensais pelo número de horas produtivas disponíveis no mês. É o número que mais impacta a precificação — e que quase ninguém calcula.

Passo 1: some todos os custos fixos mensais

  • Aluguel do ponto comercial
  • Energia elétrica
  • Internet e telefone
  • Salários e pró-labore do dono
  • Contador e obrigações fiscais
  • Sistemas e ferramentas (gestão, antivírus, etc.)
  • Seguros e manutenção do espaço

Passo 2: calcule as horas produtivas mensais

Quantas horas por dia sua assistência realmente produz? Descontando atendimento ao balcão, pausas, burocracia e imprevistos, uma bancada com um técnico produz em média 5 a 6 horas efetivas por dia. Em 22 dias úteis, são entre 110 e 132 horas produtivas por mês.

Passo 3: divida

Custo fixo mensal ÷ horas produtivas = custo por hora operacional. Exemplo: R$ 6.000 de custos fixos ÷ 120 horas produtivas = R$ 50 por hora. Isso significa que cada hora que um técnico trabalha custa R$ 50 à assistência — antes de qualquer peça ou lucro.

Peças: o markup que a maioria erra

Muitos técnicos aplicam um markup fixo sobre o custo da peça — 30%, 50%, 100%. Parece simples, mas esse método ignora variáveis importantes: o risco de a peça apresentar defeito após a instalação, o custo do tempo gasto para sourcing e compra, e o capital de giro imobilizado enquanto a peça fica no estoque.

Uma regra mais segura: o markup mínimo sobre peças deve cobrir pelo menos o risco de garantia. Se você oferece 90 dias de garantia no serviço e usa peças de procedência duvidosa, parte desse markup precisa ser reservada para retrabalho.

Dica prática: separe mentalmente peças de alto valor (telas, placas) de consumíveis (pasta térmica, solda). Em peças caras, trabalhe com margens menores e mais giro. Em consumíveis, a margem pode ser maior porque o volume compensa.

Um exemplo real: troca de tela de celular

Vamos montar a precificação de um serviço comum: troca de tela de um modelo popular.

  • Custo da tela: R$ 80,00
  • Tempo de serviço: 45 minutos → custo operacional: R$ 37,50 (com hora a R$ 50)
  • Subtotal de custo real: R$ 117,50
  • Margem de lucro desejada (30%): R$ 35,25
  • Preço mínimo sustentável: R$ 152,75

Se você está cobrando R$ 120 nesse serviço — valor comum no mercado — está trabalhando no prejuízo ou zerando o lucro. O mercado não garante que o preço praticado é viável. Só sua conta garante.

Competir por preço é uma corrida para o fundo

Sempre vai existir alguém disposto a cobrar menos. Um técnico que trabalha em casa, sem aluguel e sem funcionário, consegue cobrar um terço do que você cobra — e ainda assim ter margem. Você nunca vai ganhar competindo por preço com quem tem estrutura menor.

O caminho sustentável é outro: agregar valor que justifique o preço. Atendimento rápido, garantia clara, comunicação durante o processo, profissionalismo no recibo e na OS. Cliente que percebe valor não decide só pelo preço.

Como os dados financeiros ajudam a precificar melhor

Para calcular o custo da hora técnica com precisão, você precisa saber exatamente quanto gasta por mês. Isso só é possível com um controle financeiro organizado — despesas categorizadas, entradas registradas, fluxo de caixa em dia.

Com esses dados na mão, você revisita a precificação a cada trimestre. Se o aluguel subiu, o custo da hora subiu. Se você contratou um técnico, o custo fixo aumentou. Preço é uma variável viva — não é algo que você define uma vez e esquece.

  • Revise sua precificação a cada 3 meses ou após mudanças de custo
  • Separe os serviços por tipo e calcule a margem real de cada um
  • Identifique quais serviços têm margem negativa e ajuste ou descontinue
  • Use o histórico de OS para calcular o tempo médio real de cada tipo de reparo

O DELLINFO Assistência Técnica mantém seu financeiro organizado em tempo real — despesas, entradas, fluxo de caixa e relatórios mensais. Com esses dados, você sempre terá a base para precificar com segurança e saber exatamente se está lucrando.

Conhecer o DELLINFO Assistência Técnica →
Compartilhar:WhatsAppLinkedIn

Continue lendo

Como organizar ordens de serviço e aumentar a produtividade da sua assistência técnica

20 de maio de 2026Ler →

Controle de estoque para assistência técnica: evite prejuízos com gestão inteligente

15 de maio de 2026Ler →

IA na gestão de pequenas empresas: o que já é possível fazer hoje

10 de maio de 2026Ler →