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ARM64: o que é, por que está em todo dispositivo moderno e o que muda na prática

DELLINFO Software·14 de junho de 2026·7 min de leitura

Se você pesquisou sobre um notebook novo, comparou um chip Apple Silicon com Intel ou simplesmente atualizou um celular nos últimos anos, provavelmente se deparou com o termo ARM64. Ele aparece em especificações de hardware, comparativos técnicos e nos debates sobre o futuro da computação. Mas o que exatamente significa ARM64 — e por que praticamente todo dispositivo lançado nos últimos anos usa essa arquitetura?

O que é ARM64 (AArch64)

ARM64 — também chamada de AArch64 — é um conjunto de instruções de processador de 64 bits desenvolvido pela empresa britânica ARM Holdings. O '64' indica que a arquitetura trabalha com dados de 64 bits, o que permite acessar mais memória RAM e processar dados com mais eficiência em relação às versões ARM de 32 bits mais antigas.

Um detalhe importante: a ARM não fabrica processadores. Ela licencia a arquitetura para outras empresas, que desenvolvem seus próprios chips. Por isso ARM64 aparece em dispositivos completamente diferentes — um iPhone, um chip Apple M4, um processador Snapdragon da Qualcomm e um Raspberry Pi podem todos usar ARM64.

A diferença entre ARM64 e x86

x86 é a arquitetura dominante nos computadores pessoais há décadas — presente nos processadores Intel e AMD que equipam a maioria dos desktops e notebooks. A diferença central entre as duas arquiteturas está na filosofia de design:

  • x86 (CISC) — conjunto extenso de instruções complexas, máxima compatibilidade com software legado, design que prioriza poder bruto
  • ARM64 (RISC) — conjunto reduzido de instruções simples, executadas com eficiência muito maior por watt consumido
  • x86 domina em desktops onde a tomada elétrica resolve o consumo de energia
  • ARM64 domina onde a bateria é crítica — e está conquistando o restante

Na prática: dispositivos ARM64 tendem a ter bateria que dura mais, produzir menos calor e operar mais silenciosamente. Os chips Apple Silicon (M1, M2, M3, M4) demonstraram que ARM64 não abre mão de desempenho — MacBooks com bateria de 20+ horas superando concorrentes x86 em benchmarks foram o argumento mais convincente do que qualquer especificação técnica.

Onde o ARM64 está presente hoje

Smartphones e tablets

Praticamente todos os smartphones do mundo usam processadores ARM64. iOS da Apple, Android em dispositivos Samsung, Xiaomi, Motorola, Google Pixel — todos ARM64. É a arquitetura absoluta do segmento mobile.

Apple Silicon — Mac e iPad

Em 2020, a Apple migrou toda a linha Mac de Intel x86 para chips próprios ARM64 — a série M. O M1 foi o primeiro (2020), seguido por M2 (2022), M3 (2023) e M4 (2024). Toda a linha atual de MacBook Air, MacBook Pro, iMac, Mac Mini e iPad Pro usa ARM64. A transição é considerada uma das migrações de plataforma mais bem-sucedidas da história da computação pessoal.

Windows on ARM

A Microsoft desenvolveu suporte completo a ARM64 no Windows 11. Dispositivos como o Surface Pro com Snapdragon Elite X da Qualcomm rodam Windows 11 nativamente em ARM64. A Microsoft criou uma camada de emulação que permite rodar aplicativos x86 em dispositivos ARM64 — resolvendo o principal problema histórico de compatibilidade de software.

Servidores e infraestrutura em nuvem

A AWS desenvolveu os processadores Graviton (ARM64) para seus servidores em nuvem — com custo operacional mais baixo por oferecerem mais performance por watt. Google Cloud e Azure também disponibilizam instâncias ARM64. O ARM64 deixou de ser exclusividade mobile e se tornou arquitetura séria para infraestrutura crítica global.

Compatibilidade de software: o que importa saber

O ponto de atenção ao usar um dispositivo ARM64 — especialmente Windows on ARM ou Mac Apple Silicon — é a compatibilidade de aplicativos. Software desenvolvido nativamente para ARM64 roda com eficiência máxima. Software x86 roda por emulação, com algum custo de desempenho.

  • Aplicativos web (rodando no navegador) funcionam perfeitamente em ARM64 — sem ajuste nenhum
  • Aplicativos modernos amplamente usados já têm versão ARM64 nativa: Office, Chrome, Firefox, Photoshop, VS Code
  • Software antigo ou muito específico pode ter limitações — é onde a emulação entra
  • Emulação funciona na maioria dos casos do cotidiano, com impacto perceptível apenas em tarefas muito pesadas

Se você usa principalmente navegador e aplicativos baseados em nuvem, a migração para ARM64 é praticamente invisível na prática — tudo funciona sem configuração extra.

O que esperar nos próximos anos

A tendência é inequívoca: ARM64 avança do mobile para o desktop, do desktop para os servidores, dos servidores para a infraestrutura global. A eficiência energética se tornou prioridade tanto por custo operacional quanto por sustentabilidade. A Qualcomm, a Samsung e a Apple continuam investindo pesado em chips ARM64 para superar o x86 em cada segmento.

Para o usuário final, a mensagem prática é simples: ao comprar qualquer dispositivo novo — notebook, tablet, celular ou desktop —, verifique se os aplicativos que você usa têm versão ARM64 ou são baseados em web. Para sistemas em nuvem, a arquitetura do dispositivo simplesmente não é uma variável — eles funcionam igual em qualquer hardware.

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