Se você pesquisou sobre um notebook novo, comparou um chip Apple Silicon com Intel ou simplesmente atualizou um celular nos últimos anos, provavelmente se deparou com o termo ARM64. Ele aparece em especificações de hardware, comparativos técnicos e nos debates sobre o futuro da computação. Mas o que exatamente significa ARM64 — e por que praticamente todo dispositivo lançado nos últimos anos usa essa arquitetura?
O que é ARM64 (AArch64)
ARM64 — também chamada de AArch64 — é um conjunto de instruções de processador de 64 bits desenvolvido pela empresa britânica ARM Holdings. O '64' indica que a arquitetura trabalha com dados de 64 bits, o que permite acessar mais memória RAM e processar dados com mais eficiência em relação às versões ARM de 32 bits mais antigas.
Um detalhe importante: a ARM não fabrica processadores. Ela licencia a arquitetura para outras empresas, que desenvolvem seus próprios chips. Por isso ARM64 aparece em dispositivos completamente diferentes — um iPhone, um chip Apple M4, um processador Snapdragon da Qualcomm e um Raspberry Pi podem todos usar ARM64.
A diferença entre ARM64 e x86
x86 é a arquitetura dominante nos computadores pessoais há décadas — presente nos processadores Intel e AMD que equipam a maioria dos desktops e notebooks. A diferença central entre as duas arquiteturas está na filosofia de design:
- x86 (CISC) — conjunto extenso de instruções complexas, máxima compatibilidade com software legado, design que prioriza poder bruto
- ARM64 (RISC) — conjunto reduzido de instruções simples, executadas com eficiência muito maior por watt consumido
- x86 domina em desktops onde a tomada elétrica resolve o consumo de energia
- ARM64 domina onde a bateria é crítica — e está conquistando o restante
Na prática: dispositivos ARM64 tendem a ter bateria que dura mais, produzir menos calor e operar mais silenciosamente. Os chips Apple Silicon (M1, M2, M3, M4) demonstraram que ARM64 não abre mão de desempenho — MacBooks com bateria de 20+ horas superando concorrentes x86 em benchmarks foram o argumento mais convincente do que qualquer especificação técnica.
Onde o ARM64 está presente hoje
Smartphones e tablets
Praticamente todos os smartphones do mundo usam processadores ARM64. iOS da Apple, Android em dispositivos Samsung, Xiaomi, Motorola, Google Pixel — todos ARM64. É a arquitetura absoluta do segmento mobile.
Apple Silicon — Mac e iPad
Em 2020, a Apple migrou toda a linha Mac de Intel x86 para chips próprios ARM64 — a série M. O M1 foi o primeiro (2020), seguido por M2 (2022), M3 (2023) e M4 (2024). Toda a linha atual de MacBook Air, MacBook Pro, iMac, Mac Mini e iPad Pro usa ARM64. A transição é considerada uma das migrações de plataforma mais bem-sucedidas da história da computação pessoal.
Windows on ARM
A Microsoft desenvolveu suporte completo a ARM64 no Windows 11. Dispositivos como o Surface Pro com Snapdragon Elite X da Qualcomm rodam Windows 11 nativamente em ARM64. A Microsoft criou uma camada de emulação que permite rodar aplicativos x86 em dispositivos ARM64 — resolvendo o principal problema histórico de compatibilidade de software.
Servidores e infraestrutura em nuvem
A AWS desenvolveu os processadores Graviton (ARM64) para seus servidores em nuvem — com custo operacional mais baixo por oferecerem mais performance por watt. Google Cloud e Azure também disponibilizam instâncias ARM64. O ARM64 deixou de ser exclusividade mobile e se tornou arquitetura séria para infraestrutura crítica global.
Compatibilidade de software: o que importa saber
O ponto de atenção ao usar um dispositivo ARM64 — especialmente Windows on ARM ou Mac Apple Silicon — é a compatibilidade de aplicativos. Software desenvolvido nativamente para ARM64 roda com eficiência máxima. Software x86 roda por emulação, com algum custo de desempenho.
- Aplicativos web (rodando no navegador) funcionam perfeitamente em ARM64 — sem ajuste nenhum
- Aplicativos modernos amplamente usados já têm versão ARM64 nativa: Office, Chrome, Firefox, Photoshop, VS Code
- Software antigo ou muito específico pode ter limitações — é onde a emulação entra
- Emulação funciona na maioria dos casos do cotidiano, com impacto perceptível apenas em tarefas muito pesadas
Se você usa principalmente navegador e aplicativos baseados em nuvem, a migração para ARM64 é praticamente invisível na prática — tudo funciona sem configuração extra.
O que esperar nos próximos anos
A tendência é inequívoca: ARM64 avança do mobile para o desktop, do desktop para os servidores, dos servidores para a infraestrutura global. A eficiência energética se tornou prioridade tanto por custo operacional quanto por sustentabilidade. A Qualcomm, a Samsung e a Apple continuam investindo pesado em chips ARM64 para superar o x86 em cada segmento.
Para o usuário final, a mensagem prática é simples: ao comprar qualquer dispositivo novo — notebook, tablet, celular ou desktop —, verifique se os aplicativos que você usa têm versão ARM64 ou são baseados em web. Para sistemas em nuvem, a arquitetura do dispositivo simplesmente não é uma variável — eles funcionam igual em qualquer hardware.
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